A sociedade contemporânea tem apresentado imensos desafios para os que atuam com educação. Embora saibamos que nem sempre a demanda da sociedade é a mesma da escola, o papel que as mídias têm desempenhado na sociedade da informação, da comunicação, do espetáculo e, consequentemente, na formação dos sujeitos deve ser discutido na escola.
Ao mesmo tempo em que a estruturação da vida cotidiana está plena de informação, o acesso a ela é altamente fragmentado e vai-se tornando uma característica que determina a qualidade das interações sujeito-informação. Estamos diante de um processo de educação onde é promovido por meios da cultura de mídia, o que torna os audiovisuais um protagonista dos processos culturais e educativos, e a escola precisa redimensionar tais potencialidades.
Segundo Fusari (1995, p.68), não era suficiente colecionar imagens, sons e audiovisuais informatizados ou saber suas técnicas, era preciso “aprender a elaborar e intervir no processo comunicacional que se dá entre professores e alunos com essas mídias, para ajudar na realização da cidadania contemporânea”. A esse respeito, o campo educação-comunicação tem se preocupado com as mediações escolares e tem se configurado como um campo teórico-prático muito fértil.
É o contexto da discussão sobre esta e interfase educação-comunicação que aparece a mídia-educação, concebido pela língua inglesa, Media Education e traduzida para língua brasileira como educação para os meios. Mas o que significa educar para os meios?
O termo media nos remete na forma da tradução em meios de comunicação: jornal, cinema, rádio, televisão, computador e instrumentos multimídias.
A educação para as mídias é uma condição de educação para a cidadania, um instrumento para a democratização de oportunidades educacionais e de acesso ao saber, o que contribui para a redução das desigualdades sociais.
Situando as tecnologias da informação e da comunicação no contexto mídia-educação, surgem duas dimensões indissociáveis: ferramenta pedagógica e objeto de estudo complexo e multifacetado, Belloni (2001, p.9).
Mídia-educação que diz respeito à dimensão “objeto de estudo” e tem importância crescente no mundo da educação e da comunicação. Comunicação educacional se refere mais à dimensão “ferramenta pedagógica” vai ser desenvolvendo como uma nova “disciplina” ou campo que vem substituir e ampliar a “tecnologia educacional”.
Diante desse contexto surge outra abordagem, a Educomunicação, “conjunto de ações que permitem que educadores e estudantes desenvolvam um novo gerenciamento, aberto e rico, dos processos comunicativos dentro do espaço educacional e de seu relacionamento com a sociedade”. Diante disso algumas questões emergem: qual a diferença entre mídia-educação, educação para as mídias e educomunicação?
Sobre a educomunicação, poderíamos questionar em que medida esse termo pode ser revelar uma falsa questão ou uma armadilha conceitual. Quando o termo educação para as mídias é utilizado como um sinônimo de mída-educação, nesse caso, educação com e ou através as mídias tem sido utilizado historicamente para designar a aprendizagem de sua linguagem expressiva e como suporte para a didática.
O cenário da relação mídia e sociedade interpreta a educação em três sentidos: do ponto de vista alfabético; do ponto de vista metodológico; e do ponto de vista crítico, além de ser compreendida em duas dimensões: campo de conhecimento interdisciplinar e prática social. Podemos dizer que existe uma possibilidade de reaproximar cultura, educação e cidadania. Mas em que consiste essa educação para a cidadania?
Educar para a cidadania envolve: educação inclusiva e baseada no reconhecimento dos direitos universais; aspectos formais e jurídicos da cidadania aos direitos sociais e culturais; educação escolar com trabalho transversal entre as disciplinas, considerando o currículo explícito e implícito; educação que coopere com associacionismo e vise à solidariedade.
ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS
A mídia-educação também deve ser avaliada em termos de redistribuição política e social de poder, e sua proposta metodológica baseia-se na valorização do diálogo, reflexão na ação entendidos de forma dialética, Rivolvetta (1997). Assim a mídia vai-se configurando pela aquisição de um discernimento e uma capacidade crítica, onde o cinema e suas teorias “os textos da mídia começaram a interessar os estudiosos e a ser reconhecidos por uma dignidade estética e cultural”.
Novos desafios se apresentam à mída-educação, e uma outra concepção vai se delineando com o propósito de articular e reconfigurar as questões – é a concepção das ciências sociais. Estamos diante de uma nova proposta curricular!
Como exemplo da nova proposta curricular, cita-se o modelo BFI (British Film Institute) de Londres, no qual se encontram seis áreas-chaves que constituem o âmbito da intervenção didático-educativa para quem faz a midia-educação.
Agências: incluem autor e produtos e os diversos papéis no processo de produção;
Categorias: referem-se à especificidade dos diferentes meios e seus tipos de textos;
Técnicas: referem-se aos diferentes tipos utilizados na feitura dos textos;
Linguagem: refere-se a como os meios produzem os significados através de seus códigos e convenções e suas estruturas narrativas;
Representações: dizem respeito à relação entre os textos midiáticos e pessoas, lugares e acontecimentos;
Público: para saber como se identificam os textos e como constroem audiência, para saber como descobrem.
Neste sentido, a formação de educadores sintonizados com as novas linguagens das mídias deve corresponder à formação de comunicadores sintonizados com as funções educacionais das mídias e sua responsabilidade social.
Por Ronnie Figueiredo: ronnie@igepbrasil.com
Por Ronnie Figueiredo: ronnie@igepbrasil.com