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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mídia-Educação e a Formação do Educador

A sociedade contemporânea tem apresentado imensos desafios para os que atuam com educação. Embora saibamos que nem sempre a demanda da sociedade é a mesma da escola, o papel que as mídias têm desempenhado na sociedade da informação, da comunicação, do espetáculo e, consequentemente, na formação dos sujeitos deve ser discutido na escola.

Ao mesmo tempo em que a estruturação da vida cotidiana está plena de informação, o acesso a ela é altamente fragmentado e vai-se tornando uma característica que determina a qualidade das interações sujeito-informação. Estamos diante de um processo de educação onde é promovido por meios da cultura de mídia, o que torna os audiovisuais um protagonista dos processos culturais e educativos, e a escola precisa redimensionar tais potencialidades.

Segundo Fusari (1995, p.68), não era suficiente colecionar imagens, sons e audiovisuais informatizados ou saber suas técnicas, era preciso “aprender a elaborar e intervir no processo comunicacional que se dá entre professores e alunos com essas mídias, para ajudar na realização da cidadania contemporânea”. A esse respeito, o campo educação-comunicação tem se preocupado com as mediações escolares e tem se configurado como um campo teórico-prático muito fértil.

É o contexto da discussão sobre esta e interfase educação-comunicação que aparece a mídia-educação, concebido pela língua inglesa, Media Education e traduzida para língua brasileira como educação para os meios. Mas o que significa educar para os meios?

O termo media nos remete na forma da tradução em meios de comunicação: jornal, cinema, rádio, televisão, computador e instrumentos multimídias.

A educação para as mídias é uma condição de educação para a cidadania, um instrumento para a democratização de oportunidades educacionais e de acesso ao saber, o que contribui para a redução das desigualdades sociais.

Situando as tecnologias da informação e da comunicação no contexto mídia-educação, surgem duas dimensões indissociáveis: ferramenta pedagógica e objeto de estudo complexo e multifacetado, Belloni (2001, p.9).

Mídia-educação que diz respeito à dimensão “objeto de estudo” e tem importância crescente no mundo da educação e da comunicação. Comunicação educacional se refere mais à dimensão “ferramenta pedagógica” vai ser desenvolvendo como uma nova “disciplina” ou campo que vem substituir e ampliar a “tecnologia educacional”.

Diante desse contexto surge outra abordagem, a Educomunicação, “conjunto de ações que permitem que educadores e estudantes desenvolvam um novo gerenciamento, aberto e rico, dos processos comunicativos dentro do espaço educacional e de seu relacionamento com a sociedade”. Diante disso algumas questões emergem: qual a diferença entre mídia-educação, educação para as mídias e educomunicação?

Sobre a educomunicação, poderíamos questionar em que medida esse termo pode ser revelar uma falsa questão ou uma armadilha conceitual. Quando o termo educação para as mídias é utilizado como um sinônimo de mída-educação, nesse caso, educação com e ou através as mídias tem sido utilizado historicamente para designar a aprendizagem de sua linguagem expressiva e como suporte para a didática.

O cenário da relação mídia e sociedade interpreta a educação em três sentidos: do ponto de vista alfabético; do ponto de vista metodológico; e do ponto de vista crítico, além de ser compreendida em duas dimensões: campo de conhecimento interdisciplinar e prática social. Podemos dizer que existe uma possibilidade de reaproximar cultura, educação e cidadania. Mas em que consiste essa educação para a cidadania?

Educar para a cidadania envolve: educação inclusiva e baseada no reconhecimento dos direitos universais; aspectos formais e jurídicos da cidadania aos direitos sociais e culturais; educação escolar com trabalho transversal entre as disciplinas, considerando o currículo explícito e implícito; educação que coopere com associacionismo e vise à solidariedade.

ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS

A mídia-educação também deve ser avaliada em termos de redistribuição política e social de poder, e sua proposta metodológica baseia-se na valorização do diálogo, reflexão na ação entendidos de forma dialética, Rivolvetta (1997). Assim a mídia vai-se configurando pela aquisição de um discernimento e uma capacidade crítica, onde o cinema e suas teorias “os textos da mídia começaram a interessar os estudiosos e a ser reconhecidos por uma dignidade estética e cultural”.

Novos desafios se apresentam à mída-educação, e uma outra concepção vai se delineando com o propósito de articular e reconfigurar as questões – é a concepção das ciências sociais. Estamos diante de uma nova proposta curricular!

Como exemplo da nova proposta curricular, cita-se o modelo BFI (British Film Institute) de Londres, no qual se encontram seis áreas-chaves que constituem o âmbito da intervenção didático-educativa para quem faz a midia-educação.

Agências: incluem autor e produtos e os diversos papéis no processo de produção;

Categorias: referem-se à especificidade dos diferentes meios e seus tipos de textos;

Técnicas: referem-se aos diferentes tipos utilizados na feitura dos textos;

Linguagem: refere-se a como os meios produzem os significados através de seus códigos e convenções e suas estruturas narrativas;

Representações: dizem respeito à relação entre os textos midiáticos e pessoas, lugares e acontecimentos;

Público: para saber como se identificam os textos e como constroem audiência, para saber como descobrem.

Neste sentido, a formação de educadores sintonizados com as novas linguagens das mídias deve corresponder à formação de comunicadores sintonizados com as funções educacionais das mídias e sua responsabilidade social.

Por Ronnie Figueiredo: ronnie@igepbrasil.com

Por quê estudar a Mídia?

Estamos diante de um cenário repleto de interpretações, signos, símbolos e linguagens que produzem uma comunicação quantitativa ao invés de qualitativa.

Diante da afirmação, surge um desafio: transformar quantidade em qualidade.

Para isso, será preciso analisar a mídia como dimensão social e cultural, além de política e econômica na sociedade moderna. A mídia apresenta-se nesse momento, como parte da textura geral da experiência, como um processo, que para ser reconhecida precisa eternamente entender que ela é social, historicamente específica.

O processo para ser entendido implica um reconhecimento de que é fundamentalmente político e econômico, um debate de grande valor, que atualmente é baseado no conceito de velocidade das mudanças, da mercadoria confundidas como a velocidade da mudança social e cultural. Surge a pergunta: por que estudar a mídia?

Estudar a mídia para encontrar respostas a perguntas, questões que não podem ser conclusivas e que não devem sê-lo, deve ser considerada como uma experiência.

Em uma sociedade de mudança constante, diversas experiências são promovidas de maneira mais significativa, operadas pela mídia, seja em forma de filtro e molde da nossa realidade diária, criando representações sociais, simples ou múltiplas, definindo como resultado um comum acordo, senso comum: elemento que depende da mídia para acontecer.

Como todo acontecimento, depende de um tempo para acontecer, tempo definido como espaço de múltiplas dimensões, nada mais que tempo simultâneo, um espaço de fluxos que sinaliza as redes eletrônicas, sociais, físicas, que modela a dinâmica da comunicação através das pessoas rumo à era da informação emergente: sentidos, conhecidos e temidos. Mais uma vez surge a pergunta: por que estudar a mídia?

Estudar para compreender sua contribuição para a textura geral da experiência, a qual é abordada como a contribuição para a experiência, e acreditar, insistir que isso é um empreendimento empírico e teórico, sendo mais fácil dizer do que fazer.

A experiência, tanto mediada como a mídia, surge entre o corpo e a mente, expressas no social e nos discursos, na fala e nas histórias da vida atual, onde é encontrada a reprodução constante do social.

Por esses motivos, surge a resposta do por que estudar a mídia.

Por Ronnie Figueiredo: ronnie@igepbrasil.com

Gestão por Competências ou Gestão de Competências? Escolha a sua!

Estamos diante de um dilema: gestão por competência ou gestão de competências. Para muitos significam a mesma coisa, porém para poucos a diferença existe. Quando usamos gestão por competências, estamos nos referindo à forma, processo de gerir as competências necessárias para o profissional desempenhar um conjunto de atribuições representadas pelo seu cargo. Quando nos referimos à gestão de competências, trabalhamos com o processo de gerir competências, ou melhor, pessoas em organizações. A questão é simples: gestão por competência é baseada nas competências de um profissional, conhecidas por três elementos: conhecimento, habilidade e atitude, enquanto gestão de competências baseia-se em administrar pessoas na organização, relações humanas. A habilidade representa a forma como o sujeito – empregado – desenvolve suas práticas no dia-a-dia, conhecido também como saber fazer. O conhecimento representa o knowhow, sua base de saber, experiências de vida acumuladas e internalizadas e a atitude estabelece o comportamento do sujeito, antecedido por um conjunto de crenças e valores pessoais. A gestão por competência enfatiza o capital humano, o empregado se movimentando para o desenvolvimento profissional, um contexto de aperfeiçoamento contínuo no cargo.

O cargo representa a forma pelo qual o empregado – sujeito – está configurado diante da organização e enquadrado numa estrutura organizacional. Todo empregado precisa de um cargo para desempenhar funções, atribuições com competências. Mas para isso acontecer, precisa analisar as devidas competências necessárias para atuar no cargo como representante legal. A análise é feita com uso de entrevistas semi-estruturadas, usando perguntas abertas com registros em formulários padronizados, os quais possuem elementos como: cargo, principais responsabilidades, competências técnicas, comportamentais e de gestão. Entende-se por responsabilidades as atribuições diárias, rotina operacional descrita por procedimentos e realizada como base em processos. As competências técnicas relacionam-se com a parte de operação, o saber fazer, como escrever uma carta, fazer uma ata de reunião, elaborar uma redação. Já a comportamental remete a aspectos de movimento, de ação, de relações culturais e relacionamento interpessoal. Não esquecendo as competências de gestão, as quais reforçam os valores da organização e limitam o comportamento do sujeito na organização formal que ele atua.

Realmente estamos no dilema de gerir competências ou gerir por competência. Sempre a relação entre elas vai existir, pois jamais se desenvolve competência, capital humano sem trabalhar as competências – conhecimento, habilidade e atitude – de um sujeito. O sujeito é visto como um elemento crítico nesse processo de desenvolvimento, pois ele em algumas situações não almeja ou recebe bem a possibilidade de trabalhar suas atitudes, as quais o limitam num contexto individual ao invés de coletivo. Esse coletivo é compreendido como o grupo social no qual exercemos papeis sociais, seguimos as competências de gestão, um grupo que possui uma identidade de trabalho baseando-as na identidade organizacional. Essa identidade é identificada no plano estratégico, ou conhecida também como planejamento estratégico.

A questão é: desenvolver competências é estratégico para a organização? Acredita-se que sim, pois o cenário está para a retenção das competências (sujeitos), alinhamento com os objetivos, missão, visão e valores no contexto de planejamento que agora passa a conotar de forma estratégica para área de recursos humanos como ferramenta fundamental para sair do presente e atingir o futuro através do aperfeiçoamento de sujeitos e competências necessárias para um bom desempenho da organização.

O desempenho organizacional é medido através do RH por diversos indicadores como, número de horas treinadas, quantidade de cursos oferecidos e realizados, número de competências desenvolvidas e retenção de sujeitos no exercício. A finalidade é medir para manter o processo de melhoria contínua, ou aperfeiçoamento contínuo das competências profissionais.

Para apoiar o processo de melhoria podem ser usadas normas de referência internacionais como a ISO 9001:2008 - Gestão da Qualidade e ISO 10015 - Diretrizes para treinamento, ambas colaboram e orientam a construção de um plano de treinamento para desenvolver competências e sujeitos, ou quem sabe sujeitos e competências.

A ISO 9001 aborda no item 6.2 – Gestão de Recursos Humanos elementos fundamentais para uma aprovação, sendo desde a identificação dos treinandos até avaliação das competências desenvolvidas nos treinados, sujeitos. Esta mesma norma recebe o apoio de outra da mesma família, a ISO 10015, a qual não certifica e sim orienta, determina diretrizes para o programa de desenvolvimento. Suas diretrizes estão fundamentadas na garantia do programa de treinamento, selecionando o fornecedor, definindo meios até avaliação da eficácia do sistema usado.

Seja qual for à norma, competência ou sistema, não deixe de desenvolver e avaliar. Isso é mais do que uma abordagem social, é estratégica para a organização em que atua como gestor.

Por Ronnie Figueiredo: ronnie@igepbrasil.com